Que o livro de carteirinha dos estudantes de
Direito foi baseado numa série de reportagens feitas num presídio francês com os próprios presos, eu já sabia. Agora, ser o fundador de uma escola de jornalismo francesa que eu nunca ouvi falar, já é outra história.

Tudo isso é pra dizer que dia desses, olhando
os periódicos da capes sobre comunicação disponíveis, como de costume(jura!começou a fazer isso agora), me deparei com um artigo científico muito interessante intitulado
"Reportagem de Ideias, uma contribuição de Foucault ao jornalismo", da jornalista e pesquisadora
Beatriz Barroco. Além da reportagem-mãe de
Vigiar e Punir, ela traz fragmentos de uma grande reportagem feita pelo
Tio Foucault no Irã durante a época da nada mais, nada menos,
Revolução Iraniana.(falta de credibilidade esses links da wikipedia...)

"
É Inútil Revoltar-se?" traz mais de 50 fontes consideradas pelo jornalismo "(paula)padrão" de pouca credibilidade: trabalhadores urbanos comuns, mulheres-mães, etc, todos aqueles que o jornalismo literário adora. Apesar de flertar muito com o "new journalism", sinto que difere porque o ativista político e repórter "neófito", como ele se intitulou, não se apóia em recursos das narrativas de ficção: ele busca alicerce teóricos-acadêmicos, e discute o nascimento de um pensamento político mesmo. Além de ser um bom material reflexivo e crítico sobre esse tão pouco divulgado(até agora), Irã.

Historiador da atualidade? Talvez. Acho que o que ele fez ainda não tem nome. Mas tenho a ligeira impressão que é o que toda pessoa formada academicamente em jornalismo deveria fazer.